A ESTRADA PARA SANTARÉM – Capítulo I (1ª parte)

Leia antes:

Memorial da Amazônia – trilogia

{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}{}

Capítulo I

A ESTRADA PARA SANTARÉM

 

Tempos atrás, trabalhei no Banco de Crédito da Amazônia, em Altamira, município encravado e isolado, bem no meio do Estado do Pará. Lá, fiz boa amizade com o doutor Moraes, gerente do Banco do Brasil. Sonhador como eu. A agência dele devia dar prejuízo, pois, enquanto o Banco de Crédito da Amazônia financiava a produção de borracha e de castanha dos ricos do lugar, o Banco do Brasil financiava os “colonieiros”, agricultores pobres. Arroz, feijão, mandioca e milho. Consumo interno, o que agora se chama agricultura familiar. Mesmo assim, a chegada do Banco do Brasil mudou muito a situação daquela gente que vivia à mercê de marreteiros, atravessadores, que compravam sua produção por preço vil e a repassavam para o comércio, regatões e seringalistas.

 

Ele, como eu, estava como que exilado naquele fim de mundo, apesar de ocupar o último posto da carreira, ser advogado e muito conceituado na direção-geral. Mas era preciso estar longe das vistas da ditadura que se instalara no país e passava por uma fase particularmente cruenta.

 

Nas noites de ócio, de papo no escuro, porque a luz da prefeitura, quando havia, apagava às nove da noite, imaginávamos soluções mirabolantes para promover o progresso daquela terra.

 

Era preciso tirar Altamira do isolamento em que se encontrava. Sem estrada não haveria solução. Vivíamos debruçados sobre o mapa. O município vizinho, nas dimensões amazônicas, era Marabá. Quatrocentos quilômetros. Santarém estaria mais perto. Embora mais longe do Sul desenvolvido, tinha porto para navio grande. A meio caminho entre Belém e Manaus, as duas grandes metrópoles da Amazônia. Já era alguma coisa. Pensando assim, resolvemos, sem dizer a ninguém, que traçaríamos uma linha no rumo de Marabá, ligada por estrada com o resto do Brasil e, outra, no de Santarém, e induziríamos os colonos a abrir suas roças ao longo das estradas projetadas.

 

Assim, com financiamento da CREAI do Banco do Brasil e da cooperativa agrícola fundada pelo Banco de Crédito da Amazônia, pela qual eu era responsável, garantiríamos pelo menos o desmatamento, a queima e a coivara do caminho. Mais tarde, com o fato consumado, precisando escoar a produção, teriam de construir, mesmo precariamente, alguma estrada. Aí, já com os roçados transformados em grandes pastagens – que é o destino natural de toda roça na Amazônia –, ganharíamos a guerra contra a mata. Pelas beiras, na base da escaramuça, da emboscada. Uma grande vantagem era que a rodovia sonhada cortava sempre terras sem dono. Todas devolutas, nem o Estado queria saber delas.

 

A tal obra não saiu do papel e era segredo de Estado. Não falávamos para ninguém. Medo do ridículo, da gozação, ou talvez porque soubéssemos, no fundo, ser um plano infantil, inexeqüível e irresponsável. Se as diretorias dos bancos, dele e meu, soubessem, estaríamos na rua, até porque, já estávamos na má conduta como subversivos, e o que não faltava era dedo-duro, arrivista, querendo mostrar serviço. Se tivéssemos juízo, teríamos ficado quietos, feito menino cagado.

 

Só quem sabia, além de nós dois, era o Eduardo Besouro, que logo se posicionou contra. Contra o desmatamento. Contra o progresso. Depois contamos para o Jimmi, lá de Vitória. Mas a história não parou por aí. Caímos na besteira de contar para o João Pezinho, um colono piauiense destemido e desastrado, que apesar de puxar de uma perna, seqüela de poliomielite na infância, tinha fama de, sozinho, abrir e cuidar de roça de mais de vinte tarefas.
Um belo dia entrou no Banco de Crédito da Amazônia e pediu um financiamento. Queria dinheiro para comprar um cavalo de carga. Conseguiu. Daí para frente, não teve mais quem o segurasse. Trabalhador, destemido e desprendido, logo passou a liderar todo aquele povo da colônia. Comparada à cidadezinha do sertão do Piauí de onde viera, considerava Altamira Paraíso!. Tudo que ganhava, gastava, trazendo, às próprias custas, parentes, amigos, aderentes e quem mais quisesse vir. Dizem que não ficou quase ninguém por lá.

 

Na época em que contamos nosso projeto a ele, tinha sido eleito vice-prefeito, mesmo sendo totalmente analfabeto. Pois bem, ele acreditou. Disse que iria fazer a estrada. Espalhou logo para todo o mundo.

Convenceu o prefeito, a Câmara de Vereadores e, para nosso espanto, ninguém na cidade duvidava. Claro que a prefeitura não poderia arcar com as despesas. Nem com os serviços preliminares de topografia. Em Altamira não tinha teodolito nem agrimensor para a tarefa. Contratar de Belém ficava muito caro, estava fora de cogitação. Todas as estradas municipais e particulares eram feitas a partir do rumo e picadas dos mateiros. O azimute era a intuição e a experiência. Esses homens viviam disso. Caçavam, abriam estrada de seringa, tiravam terras e colocações para colonos e pequenos fazendeiros, e mesmo, para a prefeitura. Mas como abrir picada no rumo de Santarém, se eles nunca tinham nem ouvido falar de tal lugar? Mateiros sim, adivinhos não. Estava armado o impasse.

 

O doutor Moraes, eu, o Eduardo e o Jimmi, uma figura italiana que foi dar com os costados no Xingu, mais exatamente no modorrento povoado do Porto de Vitória, cinqüenta quilômetros abaixo, já contávamos com esse desfecho pífio. O anúncio precipitado da obra, sem planejamento, sem discussão, sem divisão de responsabilidades, à primeira vista parecia bravata eleitoreira, coisa de político. Acontece em todo o canto, aqui e alhures, mas não com o João Pezinho. Ele não era homem disso. O empecilho é que fora insidioso, pérfido. Aproveitou-se de um mero e prosaico detalhe. Simples assim.

 

Dois meses depois, já todo o mundo esquecera o projeto e a vida continuava mansa como sempre. Os seringais produzindo cada vez menos borracha, os preços despencando, e os seringueiros abandonando suas colocações e optando pela caça de animais de pele nobre. Onça, gato maracajá e ariranha, que valiam muito dinheiro no contrabando.

 

Um belo dia, o prefeito Frizan Nunes, um seringalista xucro, tanto ou mais que o vice, entrou no Banco de Crédito da Amazônia com a novidade:

 

- O João Pezinho vai retomar o projeto do pico para Santarém. Sem teodolito, sem agrimensor e, pasmem, sem mateiro. Seis parentes seus, pai, três filhos e dois genros recém-chegados do sertão do Piauí, diz-que procurados por lá por crime de cabaço, ouviram a frustrante história e, depois de planejar em surdina por mais de mês, chegaram com a proposta: “Nós topamos a parada. O senhor, no começo, só paga o rancho dos homens na mata e o da família na cidade. Quando sairmos numa colônia ou estrada dessa tal de Santarém, o senhor paga o resto”. “E o quanto é esse resto?”, perguntei. “Não é muito, apenas um pedaço de terra para mim e os meus, não precisa ser grande não”. “E um pequeno adiantamento para a gente plantar nosso legume e viver em paz”. “Esse, nós vamos pagar, a gente é homem de honra”.

 

- Essa eu quero ver, disse o gerente do Banco, Zé Burlamaqui. Pode deixar que o BCA financia.

 

Mais tarde soube-se que eles recusaram. Estavam cansados de ser cativos do dinheiro dos outros. O reboliço voltou a tomar conta da cidade. Agora com força redobrada. Os seis, muito humildes, evitavam a aura de heróis em que foram envolvidos.

 

Era o assunto no bar do Guimarino, na sinuca do Salim e no bar do Mimi: Como? Quando? Por onde? Cada um tinha um palpite diferente, mas todos concordavam: os cabras eram machos.

 

Pronto. Estavam marcadas data e hora da partida. Uma quarta-feira. O Maciel os levaria até à ultima colocação da colônia do igarapé dos Panelas no caminhão da prefeitura, herança da Segunda Guerra, que os americanos deixaram quando já não interessava mais a produção de borracha para o tal esforço de guerra. Era todo de aço, até a carroceria. E tinha dez rodas, para desespero da Lucimar, tesoureira da prefeitura.

 

Saíram de madrugada e, naquele dia, também madrugou um monte de gente para as despedidas. Houve quem chorasse. Ninguém da família dos cabras chorou. Nem riu. Claro que estávamos lá, ao pé. Doutor Moraes, Jimmi, Eduardo Besouro e eu. Na maior moita, sem direito a dar palpites. O João Pezinho improvisou um discurso, mas, por muito insistirmos, não tocou no nosso nome.

 

Alguns dias antes fomos, os quatro, visitar a família dos “cabras do Piauí”, como ficaram conhecidos. Agora já morando em casa própria, que eles mesmos haviam feito em três dias. Toda ela! Telhado, paredes e peitoril, feita de palha de olho de babaçu e ripa de paxiúba. Salão, três quartos e cozinha. Chão de terra batida. A água, do igarapé. O sanitário, a mata que circundava o barraco.

 

Afora os homens, aos quais já nos referimos, todos integrantes da expedição, havia, de adultos, a velha matriarca, um filho com jeito de homem, mas que tinha no máximo uns doze anos, e quatro mulheres. Duas noras e duas filhas. Todas barrigudas. Contamos onze curumins.

 

Fomos bem recebidos pelo seu Raimundo Nonato, o pai. Magro, rijo e empertigado. O Jimmi levou um rancho e umas quantas garrafas de vinho italiano chianti, daquelas barrigudas e encapadas com palha até a metade. Seu Raimundo, sem se mostrar ofendido, recusou o rancho:

 

- Carece não. A gente agradece a vossa bondade, mas a prefeitura já providenciou mantimento suficiente, por conta do serviço que vamos fazer, mas o vinho, nós aceita.

 

Depois de quebrado o gelo inicial, com a indefectível cerimônia das crianças tomando a benção, até que se desenvolveu uma prosa gostosa, descontraída. Apenas se procurou evitar o assunto da empreitada que eles estavam prestes a encetar, mas, lá pelas tantas, seu Raimundo deixou claro que todos sabiam quem éramos e que o projeto era idéia nossa. Detestamos a inconfidência bem intencionada do Pezinho. Saímos de lá com uma sensação indefinida. Um misto de apreensão e ternura.

 

Os preparativos foram simples e modestos. Descomplicado como tudo que se tem que fazer quando não se pode esperar por ninguém que faça o que tem que ser feito. Corrigir as ferramentas, amolar facas e facões, as borocas de cada qual, redes, mosquiteiros, cordas, confeccionar jamaxins com cipó titica, embira para alças e bandoleiras, linhas de pesca, anzóis, fósforos de emergência com palitos e lixa em pequenos vidros de penicilina com rolha de borracha arrochada para não molhar, dividir o grande molhe de tabaco para não ocupar espaço, enfim, rotinas de quem vai para o mato.

 

O Joca Mateiro, que morava nas vizinhanças, assim como quem não quer nada, mesmo sem se oferecer, foi de grande valia nesses preparativos. Não que eles não tivessem acostumados a enfrentar mato, mas caatinga é bem diferente daquelas brenhas de árvores gigantescas, cipoais e igapós. No princípio, medonha, aterrorizante, como a dizer qual esfinge tropical: decifra-me ou te devoro. Com o tempo a expressão de pavor se vai transformando em aceitação de pequenez até se transformar em cumplicidade. A mata passa a ser a mãe protetora e provedora. Irmã, amiga, companheira. Os sons que produz, de dia ou de noite, antes aterradores, com o tempo passam a soar como fundo musical de uma peça com final previsível e feliz.

 

Nas conversas das noites que antecederam a viagem, regadas a café forte, o Joca conseguiu, a seu modo, transmitir esse sentimento de mateiro. Até as crianças, sonolentas, ouviam mundiadas.

 

Ficou acertado que toda quarta-feira, logo que o dia raiasse, eles fariam uma fogueira, alimentada com folha verde ou molhada, e coco babaçu para fazer muita fumaça.

 

É que o Adão, marido da Emília, filha do seu Abucater, comprador de pele, tinha um teco-teco e se ofereceu para um sobrevôo, só para dar notícia se eles estavam no rumo certo, ou mesmo se ainda estariam vivos. Isso, quando calhasse de ter um vôo para buscar peles nos seringais e fosse quarta-feira pela manhã. Não custava nada essa pequena colaboração e, de mais a mais, ele tinha certeza de que não iriam muito longe, logo desistiriam. Ficou combinado também que, enquanto desse, uma vez por mês, eles viriam a Altamira para passar uma ou duas noites com a família e se abastecer do rancho básico: farinha, sal, café, açúcar e cartucho, pois levaram uma espingarda calibre vinte. De mais, não careciam. E, além disso, não era região de índio. Nem caiapós e muito menos assurinins, que viviam na outra margem do Xingu, em frente à Altamira, já no rumo do Tocantins.

 

Vez por outra, o Adão dava notícia da fumaça:

– Incrível! – comentava ele à mesa de pife-pafe.

 – Eles estão no caminho certo, tiraram uma reta quase perfeita. Esses filhos da puta não têm bússola e nunca, antes daqui, conforme eles mesmos me contaram, haviam passado uma noite sequer nesse tipo mata.

– Algum deles tem parte com Exu – disse o Juvenal Salgado Canto, entendido nessas coisas de macumba.

– Pare com isso, seu Juvenal, não se fala no nome do Cão nesta casa – disse a Emília, mulher do Adão.

 

Juvenal apenas resmungou:

– Mas que tem uma entidade guiando eles, não tenho a menor dúvida.

 

Na segunda ou terceira vez que voltaram à cidade, já haviam vadeado o rio Jarucu, e o Adão calculou que estivessem a mais de oitenta quilômetros de distância, tanto que, para o que antes era uma colaboração voluntária, agora já se falava em ajuda da prefeitura para a gasolina. Depois de muita gozação, o João Pezinho concordou.
Foi numa dessas vindas, quando eles se demoraram uma semana na cidade para participar das festas de São Sebastião, padroeiro de Altamira, que tivemos oportunidade de desvendar o mistério da tal entidade-guia que protegia os cabras e traçava o azimute do pico.

 

Era um domingo de manhã, um sol de rachar. Estávamos, o doutor Moraes, o Eduardo Besouro e eu, na beira do rio a conversar. Moraes, de calça comprida, acocorado em uma tábua de lavar roupa das lavadeiras do Posto Seis, que era o nome que demos àquela parte do rio para lembrar Copacabana, e eu e o Eduardo, dentro d’água, tomando o primeiro gole de cachaça do dia. Dia de festa. A procissão acabara havia pouco. A população estava quase toda no arraial. Nessa hora, chegou o Pezinho com dois dos expedicionários da picada heróica.

– Procurei vocês por toda a cidade. Já estava quase conformado em procurar na igreja – e riu da idéia.

– Fala – disse eu. – Os homens vão desistir?

– Qual o quê! Esses cabras são uns filhos da peste. O negócio é o seguinte: arranquei deste desgramado o segredo do rumo – e olhou rindo para o seu Raimundo Nonato, que o acompanhava e também ria – quem é a entidade que está orientando os facões no pique certo.

 

Disse isso e calou. Sentou-se num tronco de mogno que estava no seco e começou o ritual de fazer um cigarro pau ronca. Abriu, sem a menor pressa, a pequena bolsa encauchada. Primeiro tirou o abade Colomy, prendeu a folha muito fina do papel no canto úmido da boca, tirou um pouco de tabaco e pôs-se a esfregá-lo nas palmas das mãos, como se ansioso. “Pronto” – pensei –, “cu doce, suspense”. Fui saindo da água enquanto falava, quase gritando:

– Porra! Desembucha, filho da puta!

– Calma, é segredo de sete chaves. Ele me fez jurar que não abriria para ninguém, mas, quando me revelou, pedi pra contar pelo menos para vocês, que são os pais da criança. Era muito para agüentar sozinho por toda a vida, sem ter ao menos com quem comentar. Quando ele concordou, saí à cata de vocês, nem acompanhei a procissão. O Frizan e o padre Guilherme devem estar putos comigo. E vocês aqui no bem-bom.

– Conta, caralho! Repeti.

 

A essa altura, o doutor Moraes, um gentleman, saco de filó, que nunca chamava palavrão, também já estava perdendo a paciência. João Pezinho soltou de chofre:

– O avião da Paraense!

 

Olhei para o Moraes, que de boca aberta, ia-se pondo em pé e de repente parou a meio caminho, numa posição ridícula, quase grotesca.

 

Caiu a ficha. Soltei um grito, gargalhei e caí na água de costas com estardalhaço, molhando a camisa bem posta do Moraes, que acabou de empertigar-se e pulou para o seco para ouvir as explicações das quais eu prescindia totalmente. Estava tudo muito claro. Claro como a água do Xingu que corria pela praia. Os cabras da picada não tinham nenhum instrumento – nem sei se sabiam o que era uma bússola –, mas o avião os tinha todos: três bússolas, radiofarol, radiogoniômetro e toda a parafernália, até para vôo cego. E, duas vezes por semana, o bimotor DC3 da PTA (Paraense Transportes Aéreos), voando baixo, seguia direto, sem escalas, é claro, rumo a Santarém. Só teriam de segui-lo corrigindo o rumo todas as quartas e sextas-feiras. Mesmo que não o vissem em dias de nevoeiro, a direção do ronco dos motores bastava.

 

É, essa, eles iriam ganhar.

continua…

Sobre André Costa Nunes

Glandeador cansado de 70 anos, mas "peleando barbaridade, con espadin muy corto, pero de frente para el enimigo". * Idade: 69 * Sexo: Masculino * Atividade: Ambiente * Profissão: ESCRITOR E SITIANTE * Local: Marituba : Pará : Bósnia-Herzegovina
Esse post foi publicado em Capítulo I - todos os direitos reservados. Bookmark o link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s