A ESTRADA PARA SANTARÉM – Capítulo I (4ª parte – fim do Capítulo I)

Leia antes:

Memorial da Amazônia – trilogia

A ESTRADA PARA SANTARÉM  – Capítulo I (1ª parte)

A ESTRADA PARA SANTARÉM – Capítulo I (2ª parte)

A ESTRADA PARA SANTARÉM – Capítulo I (3ª parte)

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continuação da 3ª parte do C apítulo I

…é importante ler antes a 1ª, a 2ª e a 3ª partes.

 

Capítulo I

A ESTRADA PARA SANTARÉM

 

***

 

Não houve enterro, nem missa de corpo presente. Foram enterrados lá mesmo onde foram encontrados, dado o estado de decomposição dos corpos. Nada havia para trazer. Nem espingarda, nem mantimentos, nem utensílios, como panelas, colheres, facas ou facões. Apenas as flechas e as lanças que se puderam arrancar dos corpos. Muita flecha. Lembravam paliteiros humanos. O João Fotógrafo, que foi na expedição, não como tal, mas como voluntário, registrou o teatro de horror. Quando viu as flechas, o velho Tobias Xipaia não teve dúvida: índio Arara. Isso, depois se confirmou, com a chegada, em avião da FAB, da nata dos sertanistas de então: Chico Meirelles, Cláudio e Orlando Villas Bôas. Hospedaram-se na casa do doutor Ciro Quadros, um gaúcho, médico do SESP, vizinho do doutor Moraes. Participávamos das reuniões quase escondidos. Quietos. Sem graça.

 

Mais ou menos por esses dias, a bordo do avião da Presidência da República, em um ligeiro desvio de rota vindo de Manaus para Brasília, a menos de dez quilômetros para cima do pico, o ministro Delfim Neto, quase de brincadeira, prometia ao presidente Médici, recursos para rasgar a Amazônia por estradas. Integrar para não entregar. Colonizar. Homens sem terras, para uma terra sem homens: Transamazônica!

 

Pelos meus cálculos, essa conversa se deu, acima das nuvens, no mesmo dia e hora em que morriam, massacrados, de graça, o piauiense Raimundo Nonato, filhos, genros… e sonhos.

continua em…

 

Capítulo II

 

 

O VÔO DA ANDORINHA

 

 

O dia estava claro, luminoso, naquela manhã de verão. Nenhuma nuvem. Cavu, que na linguagem dos pilotos de teco-teco da região quer dizer: céu de brigadeiro. Azul, sem nuvens.

continua…

 

Sobre André Costa Nunes

Glandeador cansado de 70 anos, mas "peleando barbaridade, con espadin muy corto, pero de frente para el enimigo". * Idade: 69 * Sexo: Masculino * Atividade: Ambiente * Profissão: ESCRITOR E SITIANTE * Local: Marituba : Pará : Bósnia-Herzegovina
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6 respostas para A ESTRADA PARA SANTARÉM – Capítulo I (4ª parte – fim do Capítulo I)

  1. R.Sampaio disse:

    Esta muito bom.Conte mais,Andre.
    Abs.Romulo

  2. Céli disse:

    Muito bacana…. mas sempre achei que a estrutura do blog atrapalha a leitura! Parece que nao fica muito prático! Mas um dia me acostumo!!!!

    • André Costa Nunes disse:

      Querida Céli,

      Obrigado,

      Concordo em gênero etc. com você. Também tenho a mesma dificuldade. Este blog é uma parceria umbilical com o Lafayette, diz-que meu filho. tento convencê-lo de que o leitor, assim como o freguês, sempre tem razão. O blog é que tem que se fazer entender com facilidade.

      Espero que volte sempre a este sítio que também é seu

      Com carinho,

      André

  3. Odlaniger Lourenço disse:

    Prezado Mestre André,
    Sou amigo do seu filho Fernando. Trabalhei com ele no MP-TCE. Lembro-me da pescaria que fomos no rio Capim, próximo a Paragominas em setembro do ano 1999. Ano em que lhe conheci e passei a admirar sua capacidade de contar estórias. Conheci também o André, o Lafayete e o outro que a minha memória não me deixa lembrar o nome. Após isso pude conhecer seu sítio no Uriboca. Cheguei a fazer a festa de 50 anos (inesquecível) de meu pai no sítio (sou grato até hoje).
    Nessas andanças pelos blogs da cidade, vi que o Sr. havia ensaiado alguns passos na internet. Cheguei a este blog e vi que aqui seria o seu novo endereço. Gostei, adicionei ao meu leitor de RSS e agora não perderei mais nenhum post.
    Ainda mais que ele fala de Altamira, cidade que eu tive o prazer de conhecer em julho, onde fiz duas viagens a trabalho para lá e cheguei a passar 8 dias por lá. Não deu pra conhecer tudo, mas o que eu conheci, gostei.
    O balneário do Cardoso e o Açude do 23 foram alguns dos lugares que eu me deliciei nesta terra que agora eu entendo porque o Fernando (Cabeça) falava tanto.
    Parabéns pelo texto, pela obra e pelo testemunho de épocas que não voltam mais.
    Um abraço,

    Lourenço

    PS1: Na pescaria o pessoal me chamava de Alonso.
    PS2: Tem um livro fantástico que conta estórias do interior do Pará (regatões, índios, etc.) chamado “A Espera do Nunca Mais” que eu li e gostei muito.

  4. Lavinia disse:

    Pô tio, tipo assim ……. tô muito emocionada, tipo chorando, sabe como é né?! Tipo arrepiada….vc é demais…tipo muito especial mesmo, sacô? Tipo assim, muito inteligente, muito, mas muito demais, morô?!! Pô, tipo assim, te amo muito!!!! PARABÉNS!!!!!!

  5. CJK disse:

    Mestre André:

    Já resolvi o problema na navegação do folhetim. Desculpe o fato de ser ainda analógico em um tempo digital.

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