A ESTRADA PARA SANTARÉM – Capítulo I (2ª parte)

Leia antes:

Memorial da Amazônia – trilogia

A ESTRADA PARA SANTARÉM – Capítulo I (1ª parte)

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Capítulo I

A ESTRADA PARA SANTARÉM

continuação da 1ª parte do C apítulo I

…é importante ler antes a 1ª parte.

 

***

Continuaram no intento ainda por mais umas duas luas, quando, numa certa quarta-feira, o Adão não conseguiu ver a fumaça. Seguiu seu caminho rumo aos gateiros. Na quarta-feira seguinte estavam lá. Apenas bem mais adiante, pois à medida que iam amansando, tendo intimidade com a mata, mais rápido avançavam. Aprenderam a contornar baixão alagado de cabeceira de igarapé, o que era sempre um atraso, pois ainda tinham medo de sucuri, jacaré, trairão e até de poraqué.

 

Chegavam sempre contando maravilhas da floresta.

 

Bastaram algumas semanas e já se haviam acostumado com aquele viver livre e farto. Era tanta caça que tinham de ser parcimoniosos para não matar ou apanhar além do necessário para um dia de sustento. Sabiam que a despensa sempre estaria ali, ao alcance da mão. Chegavam a espantar anta e veado para poder beber nos grotões. Nos primeiros dias sofreram carregando jaboti e salgando caititu para garantir a bóia de pelo menos uma semana. Agora riam dessa perda de tempo.

 

Por várias vezes escolheram o sítio ideal para se estabelecer com a família. A cada dia maravilhavam-se com outro melhor. Tudo terra boa, barro vermelho, liguento, bom para todo tipo de legume. Cada igarapé mais convidativo do que o outro. Muito peixe, tracajá e até tartaruga, que não tinha em Altamira. Alguns peixes, eles nunca tinham visto. Era um sonho coletivo, unânime. Não, aquele, não era um sonho de obediência aos mais velhos e sábios. Conveniente aos poderosos. Aos donos da terra.

 

Já imaginavam a algazarra da criançada banhando-se e nadando ali. Fariam as casas no barranco, perto do igarapé, a uma altura que as águas grandes do inverno não alcançassem.

 

Haviam aprendido com o amigo Joca Mateiro que a enchente deixa sua marca nas árvores, assim, quando se abre uma picada, sempre se reconhece o caminho seco. Eles sabiam bem onde fazer as casas. Não mais uma, como fora até então, para todo mundo, mas uma para cada casado. No momento, cinco. Uma para Duda com Zezeu, outra, a melhor, para os velhos, e assim por diante. O terreiro seria de todos, a criação também. “Deus dê muita vida e saúde ao primo João Pezinho que nos abriu as portas desse paraíso”.

continua…

Sobre André Costa Nunes

Glandeador cansado de 70 anos, mas "peleando barbaridade, con espadin muy corto, pero de frente para el enimigo". * Idade: 69 * Sexo: Masculino * Atividade: Ambiente * Profissão: ESCRITOR E SITIANTE * Local: Marituba : Pará : Bósnia-Herzegovina
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