O RIO ME DEVE O GABEIRA

O RIO ME DEVE O GABEIRA.
Não sei que imagem as novas gerações de brasileiros fazem do Rio de Janeiro. A minha é cristalina, meridiana. E não é saudosista. É de hoje. A Vila Isabel da minha infância, permanece por lá, com mais alguns espigões, claro, mas está lá. Seus bares, boêmios e samba. Convivendo lado a lado, Noel, Martinho, Ciro, e uma indefectível caixa de fósforos. E, sem que o Zeca veja, uma Brahma, com a dose do santo despejada discretamente, no início dos trabalhos.
O RIO ME DEVE O GABEIRA.
A Lapa mudou um pouco, mas para a curtição deste coroa, para melhor. Copacabana também. Essa, nem acredito para melhor, mas o espírito carioca Zona Sul é o mesmo. Sem o Beco das Garrafas, sem o Cangaceiro, mas com a mesma Bossa, ou vocês acham que Vinicius morreu? Está vivinho da Silva. Ele, e toda a corriola, inclusive o Tom Jobim. Essa raça não morre, se encanta. Todos viram entidades do éter. Permeiam corações, mentes e espíritos, para o bom e para o bem. É impossível pensar neles sem um átimo de alegria, ternura e enlevo. Eles sempre serão os meus sacanas prediletos. Vou sempre ver passar a Garota de Ipanema num doce balanço caminho do mar. Caymmi já dizia: um bom lugar para encontrar, Copacabana, pra namorar a beira mar, Copacabana. Muitos acham que não se namora mais como antigamente. Bobagem, enquanto houver tesão há salvação.
O RIO ME DEVE O GABEIRA.
Sou paraense, como Edmundo Souto, vim, tanta areia andei, já faz tanto tempo que nem sei, das tardes tão vazias por onde andei, como Billy Blanco, mocinho bonito de Copacabana, sem o vintão por semana que mana do peito jamais lhe negou. Sou paraense repito, de Altamira, da beira do Rio Xingu, mas carioca, como todo brasileiro que se preze.
Há, também a violência, a bala perdida… Silêncio, musa, isso não é o Rio de Janeiro. Isso é fase, vai passar como passou pela avenida um samba popular. O Rio é eterno, maravilhoso, exatamente como na canção e, logo, logo ressurgirá esplendoroso como no imaginário de todo mundo.
Depois de amargar com alguns pecadilhos veniais com que os cariocas residentes me brindaram nos últimos tempos, como Crivellas, Garotinhos e Rosinhas,
O Rio me deve o Gabeira.
Belém, 16 de outubro de 2008

Não sei que imagem as novas gerações de brasileiros fazem do Rio de Janeiro. A minha é cristalina, meridiana. E não é saudosista. É de hoje. A Vila Isabel da minha infância, permanece por lá, com mais alguns espigões, claro, mas está lá. Seus bares, boêmios e samba. Convivendo lado a lado, Noel, Martinho, Ciro, e uma indefectível caixa de fósforos. E, sem que o Zeca veja, uma Brahma, com a dose do santo despejada discretamente, no início dos trabalhos.

O RIO ME DEVE O GABEIRA.

A Lapa mudou um pouco, mas para a curtição deste coroa, para melhor. Copacabana também. Essa, nem acredito para melhor, mas o espírito carioca Zona Sul é o mesmo. Sem o Beco das Garrafas, sem o Cangaceiro, mas com a mesma Bossa, ou vocês acham que Vinicius morreu? Está vivinho da Silva. Ele, e toda a corriola, inclusive o Tom Jobim. Essa raça não morre, se encanta. Todos viram entidades do éter. Permeiam corações, mentes e espíritos, para o bom e para o bem. É impossível pensar neles sem um átimo de alegria, ternura e enlevo. Eles sempre serão os meus sacanas prediletos. Vou sempre ver passar a Garota de Ipanema num doce balanço caminho do mar. Caymmi já dizia: um bom lugar para encontrar, Copacabana, pra namorar a beira mar, Copacabana. Muitos acham que não se namora mais como antigamente. Bobagem, enquanto houver tesão há salvação.

O RIO ME DEVE O GABEIRA.

Sou paraense, como Edmundo Souto, vim, tanta areia andei, já faz tanto tempo que nem sei, das tardes tão vazias por onde andei, como Billy Blanco, mocinho bonito de Copacabana, sem o vintão por semana que mana do peito jamais lhe negou. Sou paraense repito, de Altamira, da beira do Rio Xingu, mas carioca, como todo brasileiro que se preze.

Há, também a violência, a bala perdida… Silêncio, musa, isso não é o Rio de Janeiro. Isso é fase, vai passar como passou pela avenida um samba popular. O Rio é eterno, maravilhoso, exatamente como na canção e, logo, logo ressurgirá esplendoroso como no imaginário de todo mundo.

Depois de amargar com alguns pecadilhos veniais com que os cariocas residentes me brindaram nos últimos tempos, como Crivellas, Garotinhos e Rosinhas,

O Rio me deve o Gabeira.

Belém, 16 de outubro de 2008

andré costa nunes

Sobre André Costa Nunes

Glandeador cansado de 70 anos, mas "peleando barbaridade, con espadin muy corto, pero de frente para el enimigo". * Idade: 69 * Sexo: Masculino * Atividade: Ambiente * Profissão: ESCRITOR E SITIANTE * Local: Marituba : Pará : Bósnia-Herzegovina
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Uma resposta para O RIO ME DEVE O GABEIRA

  1. Pedro Nelito disse:

    André,
    Como aprendi com os zapatistas, te chamarei de subcomandante André, pois comandante es el pueblo!
    Terei que visitar-te mais amiúde para ler os capítulos que vais entornando pelo “folhetim”.
    A blogosfera recebeu reforço com a tua presença marcante.
    Naquela reta final da campanha para a prefeitura da cidade maravilhosa, o Gabeira ficou te devendo o Rio… ahahaha…
    abraços subcomandante,
    Pedro

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