SOS Mata da Pirelli

SOS Mata da Pirelli
andrecostanunes@gmail.com
Querem desmatar a reserva ecológica da antiga Fazenda Pirelli. Aqui mesmo, a dez minutos de Belém. Mata nativa, às margens do rio Guamá nos municípios de Ananindeua, Marituba e Benevides. 8.000 hectares, ou, como se usa dizer, 8.000 campos de futebol. Quem primeiro noticiou, em trinta de dezembro do ano passado, foi o Repórter 70. Em poucas linhas, mas preciso. Não sei porque não dei muita importância. Agora, apenas 15 dias depois, leio um alentado artigo, no mesmo Jornal O Liberal, do engenheiro Nagib Charone defendendo urgência para o tal projeto. Inicialmente 9000 casas populares.
Tomei um susto. A coisa é séria. Eu conheço o Nagib desde menino em Altamira. Ele, o menino, naturalmente, pois sou bem mais velho. Conheço, repito, e o admiro, pois sempre foi muito inteligente e estudioso. Daí o susto. Um engenheiro competente, construtor, empreiteiro, professor universitário, defendendo essa tese em artigo assinado no jornal de maior circulação da Amazônia, é um perigo.
Sou contra por todos os motivos do mundo. Não é uma terra ociosa, degradada. É mata nativa, com ecossistema consolidado, com rios e igarapés. Com fauna e flora preservadas. Com patos, marrecos, garças, araras, porcos, capivaras, veados, pacas, cotias, sagüis e um mundo de vida a preservar. Não está mexendo com ninguém. E nem sequer há ameaças sérias de invasões desordenadas, o que é até um milagre, mas o povo tem respeitado exatamente por ser uma reserva ecológica. Sou contra. Não digo “só passando por cima do meu cadáver” porque em matéria de grilagem de terra pública essa gente costuma levar ao pé da letra.
Não quero acreditar em interesses inconfessáveis. Prefiro crer que seja desconhecimento e uma pitada de insensibilidade. Boa parte dessas terras, que conheço bem, pois moro há mais de dez anos na vizinhança, é terra alagável. Mangue, igapó, com queiram. Exatamente como são todos o terrenos na orla de Belém e ilhas. Como eram a Estrada Nova, Jurunas, Guamá, Terra Firme, Universidade, Sacramenta, Vila da Barca, Doca de Souza Franco, Castilhos França, 14 de Março até atrás da Basílica de Nazaré e outras tantas, antes de serem aterradas com serragem e caroço de açaí. A largura média do igapó é de 15 quilômetros. Os rios Uriboca e Uriboquinha, com aproximadamente 30 quilômetros, desaguando no Guamá são seguramente os únicos rios ainda não poluídos de todas as áreas metropolitanas do Brasil. Nesses rios não há pesca predatória, ninguém mais caça em suas matas, tira madeira ou palmito. No início deu algum trabalho, mas logo, os moradores, principalmente os quilombolas do Abacatal, entenderam a importância da preservação.
Se esse projeto se concretizar, esses e os outros cursos dágua vão virar esgotos a céu aberto como sempre acontece.
Olhando a planta da Grande Belém nas imágens de satélite vê-se um mundo de terra degradada, sem nenhuma função social, servindo apenas a especulação imobiliária, não há porque mexer em uma reserva que milagrosamente tem resistido à sanha das ambições apenas por ser terra pública, o que, exatamente por isso deveria ser tratada com mais respeito.
Depois que li a notícia, fiquei esperando ávido a contestação de órgãos e ONGs que se dedicam ao assunto. Nada. Nem Sema, nem Ibama, nem prefeituras, Assembléia Legislativa, câmaras, nada.
Só me resta desenterrar a velha armadura, a lança, encilhar o Rocinante e carregar contra os moinhos de vento.

SOS Mata da Pirelli

Querem desmatar a reserva ecológica da antiga Fazenda Pirelli. Aqui mesmo, a dez minutos de Belém. Mata nativa, às margens do rio Guamá nos municípios de Ananindeua, Marituba e Benevides. 8.000 hectares, ou, como se usa dizer, 8.000 campos de futebol. Quem primeiro noticiou, em trinta de dezembro do ano passado, foi o Repórter 70. Em poucas linhas, mas preciso. Não sei porque não dei muita importância. Agora, apenas 15 dias depois, leio um alentado artigo, no mesmo Jornal O Liberal, do engenheiro Nagib Charone defendendo urgência para o tal projeto. Inicialmente 9000 casas populares.

Tomei um susto. A coisa é séria. Eu conheço o Nagib desde menino em Altamira. Ele, o menino, naturalmente, pois sou bem mais velho. Conheço, repito, e o admiro, pois sempre foi muito inteligente e estudioso. Daí o susto. Um engenheiro competente, construtor, empreiteiro, professor universitário, defendendo essa tese em artigo assinado no jornal de maior circulação da Amazônia, é um perigo.

Sou contra por todos os motivos do mundo. Não é uma terra ociosa, degradada. É mata nativa, com ecossistema consolidado, com rios e igarapés. Com fauna e flora preservadas. Com patos, marrecos, garças, araras, porcos, capivaras, veados, pacas, cotias, sagüis e um mundo de vida a preservar. Não está mexendo com ninguém. E nem sequer há ameaças sérias de invasões desordenadas, o que é até um milagre, mas o povo tem respeitado exatamente por ser uma reserva ecológica. Sou contra. Não digo “só passando por cima do meu cadáver” porque em matéria de grilagem de terra pública essa gente costuma levar ao pé da letra.

Não quero acreditar em interesses inconfessáveis. Prefiro crer que seja desconhecimento e uma pitada de insensibilidade. Boa parte dessas terras, que conheço bem, pois moro há mais de dez anos na vizinhança, é terra alagável. Mangue, igapó, com queiram. Exatamente como são todos o terrenos na orla de Belém e ilhas. Como eram a Estrada Nova, Jurunas, Guamá, Terra Firme, Universidade, Sacramenta, Vila da Barca, Doca de Souza Franco, Castilhos França, 14 de Março até atrás da Basílica de Nazaré e outras tantas, antes de serem aterradas com serragem e caroço de açaí. A largura média do igapó é de 15 quilômetros. Os rios Uriboca e Uriboquinha, com aproximadamente 30 quilômetros, desaguando no Guamá são seguramente os únicos rios ainda não poluídos de todas as áreas metropolitanas do Brasil. Nesses rios não há pesca predatória, ninguém mais caça em suas matas, tira madeira ou palmito. No início deu algum trabalho, mas logo, os moradores, principalmente os quilombolas do Abacatal, entenderam a importância da preservação.

Se esse projeto se concretizar, esses e os outros cursos dágua vão virar esgotos a céu aberto como sempre acontece.

Olhando a planta da Grande Belém nas imágens de satélite vê-se um mundo de terra degradada, sem nenhuma função social, servindo apenas a especulação imobiliária, não há porque mexer em uma reserva que milagrosamente tem resistido à sanha das ambições apenas por ser terra pública, o que, exatamente por isso deveria ser tratada com mais respeito.

Depois que li a notícia, fiquei esperando ávido a contestação de órgãos e ONGs que se dedicam ao assunto. Nada. Nem Sema, nem Ibama, nem prefeituras, Assembléia Legislativa, câmaras, nada.

Só me resta desenterrar a velha armadura, a lança, encilhar o Rocinante e carregar contra os moinhos de vento.

andré costa nunes (22/01/2009)

Sobre André Costa Nunes

Glandeador cansado de 70 anos, mas "peleando barbaridade, con espadin muy corto, pero de frente para el enimigo". * Idade: 69 * Sexo: Masculino * Atividade: Ambiente * Profissão: ESCRITOR E SITIANTE * Local: Marituba : Pará : Bósnia-Herzegovina
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